"A probabilidade de termos um segundo turno aumenta, porque a
candidatura de Marina tem um potencial eleitoral maior que o de Campos. Ao
mesmo tempo não se pode mais dizer que o Aécio seja o favorito para chegar ao
segundo turno. A probabilidade de Marina disputar com Dilma é maior",
afirmou.
As declarações de Garmam foram feitas durante uma teleconferência com a
participação de jornalistas e cientistas políticos, organizada pela GO
Associados, consultoria multidisciplinar, que tem entre seus sócios o economista
Gesner Oliveira, ex-presidente do Conselho Administrativo de Defesa
Econômica (Cade).
O cientista político lembrou que, quatro anos atrás, Marina obteve 19%
dos votos válidos da eleição para presidente, pilotando uma campanha com poucos
financeiros e quase sem tempo na TV. Um dos principais motes de sua campanha
era a renovação política. Na avaliação de Garman, a força dessa bandeira
aumentou nos últimos anos.
"Se compararmos o ambiente eleitoral de hoje com o de quatro anos
atrás, o desejo de mudança e a insatisfação com a classe política são maiores
agora", observou. "Não é por acaso que o número de votos nulos e
brancos nas pesquisas de intenção de votos hoje estão num patamar razoavelmente
alto. Se for confirmada, a candidatura da Marina é muito competitiva. Se
transforma numa candidatura séria, com chances concretas de ganhar a
Presidência. Não diria que é a favorita, mas a probabilidade, a chance de
vitória dela não deve ser menosprezada."
Garman acredita que, caso passe para o segundo turno, Marina tem mais
chances de bater Dilma que Aécio. "A estratégia do PT de polarizar a
campanha com o PSDB perde eficácia com Marina. Seja porque ela já foi do
PT, seja por seu perfil histórico. O quadro polarizante fica mais difícil. Isso
significa que a presidente Dilma perde o favoritismo? Isso é difícil dizer
agora."
A Eurasa, a consultoria dirigida por Garmam, vinha desenhando até agora
um cenário eleitoral diferente do que circulava pela maioria das outras
consultorias. Situava a probabilidade de reeleição da presidente em torno de
60%.
De acordo com suas explicações, a projeção era desenhada a partir de um
banco de dados com os resultados de 240 eleições ao redor do mundo, nos últimos
vinte anos. "Eles mostram que, quando tem um índice de aprovação acima de
40%, o presidente é reeleito em mais de 80% das vezes. E Dilma tem 47% de
aprovação."
O cenário se mantém, na avaliação de Garner, se Marina não for
referendada pelo PSB para a cabeça de chapa. Ou se ela não aceitar.
Ao falar do cenário pós-eleitoral, o analista observou que as incertezas
em relação a um possível governo de Marina são maiores do que nos casos de
vitória de Dilma e Aécio. "Se olharmos o grupo de economistas que a
assessoram, podemos deduzir que a sua política econômica tende a ser mais liberal,
alinhada com ajustes fiscais", disse. "Ao mesmo tempo é uma política
que tem um foco forte no setor de meio ambiente, o que pode gerar alguns riscos
no setor do agronegócio. Não é uma candidata sobre a qual temos plena clareza
sobre suas convicções na área econômica."
A governança também deve
ficar mais difícil. "Toda a campanha dela deve ser focada na questão da
renovação da maneira de fazer política, do sistema político multipartidário no
qual se obtém apoio no Congresso por meio da distribuição de ministérios a
aliados. Pela maneira como ela discursa e sabendo
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